17 de out. de 2009

Um ciclo vicioso "vicioso"

Os cidadão pagam impostos.
Muitos impostos.
Impostos a postos.
Impostos impostores.

O Estado os recebe. E parece retê-los.

Educação?
Saúde?
Saneamento básico?
Segurança?
No Brasil, artigos de luxo.
Têm mais valor que as especiarias orientais.
São apenas para quem pode pagar por estes "bens".

E os impostos impostores?

Bem, são destinados a outros fins.
Fins que justificam os meios.
Meios pelos quais a miséria só aumenta.
Miséria que gera miséria e com o povo arrebenta.
Mais um ciclo vicioso.

Miséria que gera distorções.
A cada dia o abismo que separa os poucos ricos dos muitos miseráveis aumenta. Sim, miseráveis.
A pobreza ainda dignifica.
A miséria não.
A miséria suga.
Tira do homem o único bem que ele ainda detém: sua dignidade.

Homem que pouco come.
Homem com fome.
Homem que lixo come.
Lixo que lhe serve, que lhe alimenta.
Lixo que o maltrata.
O lixo que o nutre é o lixo que mata sua condição humana.
Contradição?
Talvez sim, talvez não.
Lixo "marvado".
O mantém vivo para ser maltratado.

E o Estado continua a receber impostos.
Impostos aos cidadãos.

E o caos, inexplicavelmente, permanece.
E o miserável, também, inexplicavelmente, não padece.

Deve ele perguntar-se: “o que fiz para viver nesta condição”?
O que fez? “Nasceu ué” responde alguém com pouca compreensão.
E o miserável é culpado pela própria miséria.
“Quem mandou ter nascido”?
E a miséria gera mais miseráveis.
O miserável reproduz.
E as "trevas" expandem, reduzindo a "luz".

“Quem mandou ter tantos filhos”?
E os "tantos filhos" não terão a educação que os nossos tiveram, têm ou terão.
E os “tantos filhos” um dia crescerão.
E estes “tantos filhos” terão outros tantos filhos.
Invasão de miseráveis.
Mais um ciclo vicioso.

E os impostos, aqueles já citados, continuarão sendo pagos.
E os serviços prestados, continuarão um caco.
E aqueles “tantos filhos”, marginalizados serão.
Assim como seus pais os foram.
Marginalização natural.
Que gera um exército desordenado de famintos, que pelejam, diariamente, pelo pão e pelo crack de cada dia.

Assaltos nas ruas.
Mortes.
E estes assassinos, desumanizados desde seu nascimento, serão jogados em depósitos humanos conhecidos por penitenciárias.

Ressocialização já!
Ressocializar?
Fica difícil ressocializar quem nunca foi socializado.
É o mesmo que rever o que nunca foi visto.
Ou ter fome de comer aquilo que nunca se comeu.

Seres humanos sem direito a nada.
E os Direitos Humanos?
Dizem os “entendidos”: “só protegem os bandidos”.
Mas quem são os verdadeiros bandidos?
O Estado na figura de seus péssimos administradores?
Ou os desumanizados, que recorrem muitas vezes ao crime, e que são vitimados pelas pífias administrações?

Sim, vitimados.
Vítimas de quem existe para proteger-lhes.
E tudo se repete em mais um ciclo vicioso.

E o que fora preso, quando é solto, sai pior.
Sim, o Estado consegue piorá-lo.
Viva o Estado!
Além de tê-lo privado, ao longo da vida, de bens básicos a sua sobrevivência, o Estado o piora.
O maltrata.
O tortura.
A dignidade, que já era reduzida, quando ainda existia, reduz-se a pó.
Crema-se a dignidade dos “indignos”.

A sociedade aplaude.
"Merecem tudo isso" diz.
Impulsividade comum na tenra idade.
“Pobre” sociedade.
Mais uma vez será vitimada por estes “humanóides”.
Sim, humanóides.
Pobres humanóides.
Mais uma vez “indignificados” por esta mesma sociedade.
Mais um ciclo vicioso.

2 comentários:

  1. Nooooooossa, não sabia do seu lado poeta! Texto ótimo, bem escrito, claro e objetivo.
    Parabéns Brunénho!

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  2. Menino, que pesooooooo...

    =p

    Gostei muito. Muito mesmo... posso reproduzir?

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