19 de out. de 2009

Das "Repúblicas Independentes do Maranhão"

35 minutos do segundo tempo. O Viana vence. 2x0. Série B do campeonato maranhense de futebol. A vitória, pela diferença de dois gols, não coloca o time na elite do futebol daquele estado. Eis que nos 10 minutos restantes, algo “sobrenatural” acontece, e o Viana consegue marcar mais nove gols. Viana 11x0 Cachoeirinha.

Que o time do Cachoeirinha é ruim, todo mundo está “careca” de saber. Mas não é tão ruim a este ponto. Nem o time do Viana é tão bom para “sapecar” nove gols em 10 minutos em qualquer equipe que seja. O “grande” e folclórico Íbis, em seus tempos de “glória”, nunca levou tantos gols em tão pouco tempo; e olhe que suas apresentações eram repletas de gols – dos adversários, claro.

Enquanto esta histórica partida acontecia, em São Luiz, capital do estado do Maranhão, Moto Clube e Santa Quitéria faziam a outra partida da rodada. Ao Moto Clube só a vitória interessava. Sim, não escrevi errado: “Moto Clube”.

O grande Moto Clube, time de tradição no MA, de rivalidade clássica com o Sampaio Correia, detentor de 24 títulos estaduais, foi rebaixado este ano, 2009, para Série B do maranhense. Vale aqui uma observação: fizeram com o Moto, no Maranhão, o mesmo que com o CSA, em Alagoas. De uma “Harley-Davidson” usada, o coitado do Moto Clube passou a motoca velha caindo aos pedaços. Pra finalizar este parágrafo e voltarmos ao assunto, algo que apenas em estados como o Maranhão acontece: o Moto Clube, como eu disse acima, fora rebaixado em 2009. Daí surge a pergunta (do leitor atento): “o que danado este time está fazendo na Série B do maranhense deste ano”? Ainda estamos em 2009. Ele deveria disputar a Série B do maranhense em 2010 e, caso viesse a subir, jogar na elite do futebol do Maranhão, apenas, em 2011. Coisas do Brasil.



A agora "motoca velha caindo aos pedaços" já foi, outrora, uma "Harley-Davidson usada"


Mas voltemos ao assunto. Em São Luiz, Moto Clube e Santa Quitéria faziam a outra partida da rodada. O Santa Quitéria, já classificado, jogava para cumprir tabela – assim como o Cachoeirinha, só que por motivos opostos. Mas o Moto não. Ao Moto valia a chance de voltar à elite do futebol maranhense. O placar elástico de 5x1 não fora suficiente. Não “pôde” o Moto concorrer com os 11 gols marcados pelo Viana, na outra partida. Se bem que, para muitos, os três pênaltis marcados pela arbitragem em favor da “motoca velha caindo aos pedaços” nos 8 minutos finais não existiram. Uma verdadeira esculhambação. Coisas do Brasil.

Vejo neste caso de explícita corrupção, e da mais “escrachada” aplicação do jeitinho brasileiro, mais um capítulo d0 sujo e corriqueiro "vandalismo moral" que impera no país.
A Federação maranhense, que permitira a um time rebaixado jogar uma competição de acesso no mesmo ano, e os clubes envolvidos nesta “farra” devem ser severamente punidos. Caso contrário, mais um episódio de pilantragem a olhos vistos ficará impune. Coisas do Brasil.

17 de out. de 2009

Um ciclo vicioso "vicioso"

Os cidadão pagam impostos.
Muitos impostos.
Impostos a postos.
Impostos impostores.

O Estado os recebe. E parece retê-los.

Educação?
Saúde?
Saneamento básico?
Segurança?
No Brasil, artigos de luxo.
Têm mais valor que as especiarias orientais.
São apenas para quem pode pagar por estes "bens".

E os impostos impostores?

Bem, são destinados a outros fins.
Fins que justificam os meios.
Meios pelos quais a miséria só aumenta.
Miséria que gera miséria e com o povo arrebenta.
Mais um ciclo vicioso.

Miséria que gera distorções.
A cada dia o abismo que separa os poucos ricos dos muitos miseráveis aumenta. Sim, miseráveis.
A pobreza ainda dignifica.
A miséria não.
A miséria suga.
Tira do homem o único bem que ele ainda detém: sua dignidade.

Homem que pouco come.
Homem com fome.
Homem que lixo come.
Lixo que lhe serve, que lhe alimenta.
Lixo que o maltrata.
O lixo que o nutre é o lixo que mata sua condição humana.
Contradição?
Talvez sim, talvez não.
Lixo "marvado".
O mantém vivo para ser maltratado.

E o Estado continua a receber impostos.
Impostos aos cidadãos.

E o caos, inexplicavelmente, permanece.
E o miserável, também, inexplicavelmente, não padece.

Deve ele perguntar-se: “o que fiz para viver nesta condição”?
O que fez? “Nasceu ué” responde alguém com pouca compreensão.
E o miserável é culpado pela própria miséria.
“Quem mandou ter nascido”?
E a miséria gera mais miseráveis.
O miserável reproduz.
E as "trevas" expandem, reduzindo a "luz".

“Quem mandou ter tantos filhos”?
E os "tantos filhos" não terão a educação que os nossos tiveram, têm ou terão.
E os “tantos filhos” um dia crescerão.
E estes “tantos filhos” terão outros tantos filhos.
Invasão de miseráveis.
Mais um ciclo vicioso.

E os impostos, aqueles já citados, continuarão sendo pagos.
E os serviços prestados, continuarão um caco.
E aqueles “tantos filhos”, marginalizados serão.
Assim como seus pais os foram.
Marginalização natural.
Que gera um exército desordenado de famintos, que pelejam, diariamente, pelo pão e pelo crack de cada dia.

Assaltos nas ruas.
Mortes.
E estes assassinos, desumanizados desde seu nascimento, serão jogados em depósitos humanos conhecidos por penitenciárias.

Ressocialização já!
Ressocializar?
Fica difícil ressocializar quem nunca foi socializado.
É o mesmo que rever o que nunca foi visto.
Ou ter fome de comer aquilo que nunca se comeu.

Seres humanos sem direito a nada.
E os Direitos Humanos?
Dizem os “entendidos”: “só protegem os bandidos”.
Mas quem são os verdadeiros bandidos?
O Estado na figura de seus péssimos administradores?
Ou os desumanizados, que recorrem muitas vezes ao crime, e que são vitimados pelas pífias administrações?

Sim, vitimados.
Vítimas de quem existe para proteger-lhes.
E tudo se repete em mais um ciclo vicioso.

E o que fora preso, quando é solto, sai pior.
Sim, o Estado consegue piorá-lo.
Viva o Estado!
Além de tê-lo privado, ao longo da vida, de bens básicos a sua sobrevivência, o Estado o piora.
O maltrata.
O tortura.
A dignidade, que já era reduzida, quando ainda existia, reduz-se a pó.
Crema-se a dignidade dos “indignos”.

A sociedade aplaude.
"Merecem tudo isso" diz.
Impulsividade comum na tenra idade.
“Pobre” sociedade.
Mais uma vez será vitimada por estes “humanóides”.
Sim, humanóides.
Pobres humanóides.
Mais uma vez “indignificados” por esta mesma sociedade.
Mais um ciclo vicioso.

Errei, erramos

Como profeta, não cheguei aos pés do Mestre dos Magos. Errei feio. Mas para não ficar mais feio, reconheço desde já meu erro. Apostei que o Uruguai venceria em Montevidéu. Tudo levava a isto. Mas a Argentina, em jogo rico em disputa e garra e fraco em belas jogadas, venceu pelo magro placar de 1x0 (que pelas circunstâncias tem valor de goleada). Não me recordo de quem foi o gol, mas isto pouco interessa. Os argentinos irão à África do Sul. Passaporte carimbado.





Grande Mestre dos Magos. Nem ele, talvez, profetizaria tão improváveis resultados



Já os uruguaios disputarão a vaga na repescagem contra a Costa Rica. E, não creio que seja por teimosia, “aposto” no Uruguai.

Em Santiago, o classificado Chile derrotara o agora eliminado Equador pelo, também, placar de 1x0. Sinceramente, não acreditava nos chilenos, ao menos nesta partida. Mas Suazo, sempre ele, tirou o zero do placar que permitirá ao Uruguai, mesmo perdendo para Argentina, jogar a repescagem.



Sempre Suazo. Artilheiro das eliminatórias sul-americanas e Chile na Copa



Estes dois resultados foram interessantes para a próxima Copa. Primeiro porque um mundial com as ausências da Argentina e de Messi, seu mais talentoso jogador, empobreceriam demais a competição. Segundo porque o Uruguai ainda possui plenas condições de chegar ao mundial. A minha torcida será pelos uruguaios. É sempre bom ver seleções tradicionais numa Copa do Mundo.


Eles têm tradição. Ghiggia, um dos carrascos do Brasil daCopa de 1950



Terminadas as eliminatórias sul-americanas, teremos na África do Sul as seguintes seleções de nosso “subcontinente”: Argentina, Brasil, Chile e Paraguai. O Uruguai poderá ser a quinta seleção sul-americana na Copa de 2010. Para isso, terá de vencer, como já dito, a incógnita seleção costarriquenha.

14 de out. de 2009

É hoje !!!

A noite de hoje pode ser considerada uma das mais importantes do ano para o futebol mundial. Em Montevidéu, Uruguai, a Celeste Olímpica, às 19h (horário de Brasília), entrará em campo por uma vaga na Copa do Mundo da África do Sul.




Construído para a Copa de 1930, o Centenário será o palco da "peleja" de hoje



Seria mais um grande jogo entre seleções se a adversária não fosse a Argentina que depende, também, de uma vitória para se classificar para o mundial. Isto torna o jogo não apenas “grande”, mas um dos maiores da década entre seleções.


Forlán, a esperança de gols uruguaia; tem feito a diferença nos jogos da Celeste



O último mundial que nossos “hermanos” argentinos deixaram de disputar foi o de 1970 (em que fomos campeões). De lá para cá disputaram as nove Copas seguintes, vencendo duas e chegando à final em mais uma. Nas quatro últimas (de 1994 à 2006) não fizeram boas campanhas, apesar de levarem bons elencos.


Messi, ao contrário do colega uruguaio, não tem feito boas exibições




Se eu tivesse que apostar meu “rico” dinheirinho no jogo de hoje certamente não seria na Argentina. A equipe vem de uma seqüência de péssimos jogos além das convocações serem, em partes, equivocadas. Da mesma forma que creio não caberem mais em nossa seleção jogadores como Ronaldo (sim, pelo peso), Adriano, Roberto Carlos, Cafu, Émerson, Gilberto Silva, Dida e Ronaldinho Gaúcho, creio que Maradona peca ao convocar jogadores como Verón, Ortega (que incrivelmente fora oferecido ao Santa Cruz no início do ano e passa por problemas com álcool), Palermo, Aimar dentre outros.

Ainda acredito na vitória do Equador contra o já classificado Chile, em Santiago. Se estas duas profecias concretizarem-se, a primeira Copa em território africano ficará mais pobre, assim como o belo e vasto Continente “negro” o é.

13 de out. de 2009

Reeleição e discórdia

Em seu primeiro mandato como presidente tupiniquim, FHC, só Deus e alguns poucos sabem como, conseguiu aprovar sua PEC para constitucionalizar seu projeto de reeleição, por igual período. O ato gerou rebuliço mas cá estamos.





Ficou felizinho hein danadinho!!! Mais 4 aninhos no poder


Poucos anos depois, na Venezuela, país que hoje ocupa lugar de destaque na mídia internacional pelo seu polêmico presidente, a reeleição foi aprovada. Não nos moldes obscuros daquela aprovada no governo FHC. Mas por uma consulta popular.
É bom lembrar que antes disto, o famigerado Chavez sofrera um golpe de Estado, que durara dias, e uma greve de quase dois meses da PDVSA – Petróleo da Venezuela/SA.



Fazem o mesmo que ele fez mas apenas ele é taxado de ditador




Mais recentemente, na Colômbia, Estado democrático sul-americano mais alinhado à política externa estadunidense, o presidente Álvaro Uribe manifestou a vontade de permanecer por mais alguns anos como mandatário colombiano. Para isto, terá que mudar a Constituição de seu país.



"Garçon, por favor, mais um mandato presidencial"



Chegamos, enfim, a Honduras. O país, até pouco, era aliado ao venezuelano mais odiado da Terra. Ou melhor, ao venezuelano mais odiado da Terra aqui no Brasil. Muitos não sabem nem por que odeiam Hugo Chavez, mas o odeiam. Talvez não saibam que ele foi eleito pelos venezuelanos, assim como Zelaya, presidente deposto de Honduras, fora pelos hondurenhos.
Zelaya, como os demais presidentes acima citados, pensou em projeto para se reeleger. E convocou um referendo. Não seria algo imposto. Muito menos feito por meios obscuros – como feito no Brasil durante o governo FHC.
Seria feita, como o fez Chavez, uma consulta popular. Contudo, sabia bem Zelaya, que a Constituição de seu país veda, expressamente, este tipo de proposta de Emenda constitucional. E pune, seja quem for, qualquer que atente contra determinados pontos da Constituição. Na punição a Zelaya, porém, houve exagero.



Tentou driblar a Constituição e foi engolido por radicais



Como sabemos, as constituições devem ser eternas, mas mutáveis. Alguns pontos, porém, chamados clausulas pétreas, não podem ser tocados, assim como os “dalits” da novela, só que com uma diferença: os “dalits” eram intocáveis por sua “insignificância”, por serem imundos aos olhos da religião hindu; as cláusulas pétreas não podem ser tocadas, mudadas, emendadas pelo seu alto valor histórico, ético e moral. Como exemplo, o princípio republicano (que tem como uma de suas características a alternância de pessoas no poder).

FHC, Uribe, Chavez e Zelaya. Unidos pela mesma vontade; a de prolongar suas estadas nos Palácios presidenciais de seus respectivos países. Separados pela permissividade de suas Constituições e pela interpretação que os porta-vozes da sociedade, a imprensa, dão à intenção de cada um.

Tragédia grega ou tango argentino?

A rodada deste final de semana das Eliminatórias sul-americanas, apesar da vitória argentina, em Buenos Aires, por um magro 2x1 contra o Peru, lanterna da competição, foi péssima para nossos “hermanos”.



De malas prontas para a África do Sul?


Isto porque o Chile derrotara a Colômbia, em plena Bogotá, por 4 gols a 2, e carimbara seu passaporte rumo à África do Sul. Na próxima rodada, a 18ª, o Chile, em Santiago, enfrentará o Equador, que perdera em casa para o Uruguai, de virada, pelo placar de 2x1. Estes 3 resultados deixaram indefinidas a 4ª vaga e a vaga para a repescagem, destinada ao 5º colocado.

Argentina, Uruguai e Equador ainda brigam por duas vagas. A Argentina enfrentará o Uruguai, em Montevidéu. Aos anfitriões, basta uma simples vitória.

O Equador irá ao Chile, enfrentar os já classificados donos da casa. Ao Equador, o jogo é de vida ou morte. Ao Chile, classificado com uma rodada de antecipação, apenas cumprimento de tabela.

Alguém pode perguntar: e a coitada da Venezuela? Matematicamente possui chances, porém, em minha modesta opinião, a disputa será entre as três já citadas seleções.




Gardel teria motivos para mais um grande tango


Como se ver, nem o mais trágico dos tangos de Gardel traduz, em sua letra, repleta de gírias, tamanho sofrimento pelo qual passam os argentinos. Ficar de fora da próxima Copa, “por uma cabeza” e com “la mano de Dios” do técnico Maradona, cheira mais à tragédia grega que à tango portenho.